17 comments

  1. O texto sobre a crise do Egito foi muito produtivo e levou a uma boa reflexão, mas gostaria de saber um pouco mais sobre o fundamentalismo, esse movimento começou a ser chamado assim pelo ocidente certo? Quando foi isso, foi na revolução Iraniana?

    Isis

  2. Isis,

    Fundamentalismo quer dizer uma interpretação literal da religião, independente de ser o islã, o judaísmo ou o cristianismo. Na prática, é a idéia de retorno ao “modelo original”, aos fundamentos, às origens sem interpretações novas.

    Todo fundamentalismo é uma espécie de reação a algo. Pode ser uma reação a um governo “moderno” demais, uma reação a mudanças de costumes, ao progresso acelerado da ciência ou também contra as mudanças nos valores sociais. Num momento em que as pessoas perdem referências, a religião serve como um porto seguro.

    O fundamentalismo islâmico é um fenômeno bastante recente na política, apesar de existir na religião desde o séc. XIV como uma entre várias correntes dentro da fé islâmica.

    No caso atual, o movimento organizado surgiu em países pobres, ex-colônias, em regiões onde ditaduras eram apoiadas pelo ocidente (Irã) ou onde houve invvasões externas (Afeganistão). O fundamentalismo é também o fruto das frustrações das correntes políticas mais moderadas, que buscaram efetuar mudanças mas foram reprimidas.

    Esse é um assunto bastante extenso. Tenho algumas sugestões:
    – Se quiser um resumo, baixe aqui no site mesmo a aula de Islã e leia a segunda parte.
    – Se quiser se aprofundar, há dois bons livros (de preferência nessa ordem):
    1. Al Qaeda – A verdadeira história do fundamentalismo islâmico, do autor Jason Burke. É um bom relato para quem está buscando se aprofundar.
    2. Em nome de Deus – o fundamentalismo no judaísmo, cristianismo e islamismo, da Karen Armstrong. Esse é bem mais técnico, muito detalhado mas é uma lleitura mais pesada também.

    Boa sorte nos estudos.

  3. Certo, entendi! Muito obrigada pelas explicações e recomendações, vou ler o resumo do Islã e dar uma olhadinha nos livros.
    Obrigada pela atenção.

    Isis

  4. essa revolta no egito está muito parecida com a revolta iraniana ( trocando talvez a corrupçao do xá pela crise economica no egito) e o senhor acha q se um governo fundamentalista entrar no poder pode haver um tipo de novo panarabismo porém dessa vez liderado por armadinejad.

  5. Nesse caso específico acho difícil Marcos.
    O Irã, apesar de islâmico, é xiita e de etnia persa. Historicamente, há uma inimizade entre xiitas e sunitas e os persas são diferentes dos árabes em muitas coisas. Um movimento panarabista, nesse caso, excluiria o Irã.

    De qualquer forma, muitas ditaduras e monarquias da região tem forte apoio ocidental. Uma redução do poder desses governos reduziria a força do ocidente na região, e isso também interessa ao Irã. O Irã pode sim lucrar com a crise, mas não como líder de um movimento.

    Quanto a um possível governo fundamentalista no Egito, ainda é cedo para avaliar. Os grupos religiosos são bastante organizados no país, mas há muitos outros grupos e até agora o movimento não apresentou nenhum caráter religioso. As demandas são: liberdade política, de imprensa, mais investimento na economia…enfim, carências típicas de países pobres, mas não são demandas religiosas.

    Existe sim a possibilidade de uma participação religiosa na política, mas não se sabe com que força. Numa democracia, um partido religioso poderia fazer parte do governo, junto com vários outros. Mas isso depende de como será um futuro governo, é pura especulação e há outras possibilidades. Na Turquia, por exemplo, os partidos religiosos foram proibidos por muito tempo (turcos também são uma etnia, não são árabes nem persas). Algo assim também poderia acontecer.

    No final das contas, está tudo em aberto. Ainda não é possível chegar a uma conclusão sobre qual será o desfecho das crises na região.

  6. Daniel, a irmandade no Egito é de origem sunita néh? Quanto ao fundamentalismo por que ele é apresentado com radicalismo, se na Turquia há democracia?

  7. A Irmandade é sunita sim Isis. Mas há fundamentalismo em qualquer religião, não é privilégio de nenhum grupo em especial. A Irmandade acredita que a religião deve ter peso preponderante no governo, portanto poderia ser fundamentalista sim. A questão é saber qual será o peso dessas ideias num futuro governo egípcio, mas sobre isso só podemos especular.

    Por outro lado, você apontou muito bem: a Turquia é um país muçulmano e democrático. Não há uma ligação direta ou inevitável entre islamismo e radicalismo.

  8. sim mas a turquia desde uns anos para cá tem se focado mto na religiao e tem tido relaçoes de inimizade com Israel, ainda mais depois do incidente da “flotinha da paz” eu acho q o fundamentalismo em si nao está ligado a questao islamica mas sim na presença de um possivel “inimigo” no caso Israel se o egito perder a liderança pró EUA pode ser q ele relaxe na fronteira com gaza, provavelmtente nao com os refugiados pois ninguém quer problema para o país
    mas com as relaçoes com o HAMAS.

  9. Marcos,

    Tudo isso é especulação, não tem como concluir nada seguro ainda. A Turquia pode sim ter ficado mais distante de Israel, mas essa mesma Turquia é da OTAN e forneceu bases para os EUA atacarem o Iraque, por exemplo.

    Não se deixe enganar pelo que sai na mídia também. O caso da flotilha deixou as relações meio tensas, mas a Turquia continua fazendo comércio com Israel como sempre fez. O caso da flotilha serviu mais para propagando política, essa “inimizade” é midiática mais do que real. Veja um exemplo na América Latina: quem mais compra petróleo da Venezuela são os EUA.

    Política é um assunto muito complexo. As respostas que dei para você e os outros alunos vão nessa direção, ainda não é possível definir o que vai acontecer na região. São muitos “se”. Se houver fundamentalismo, se o Egito relaxar na fronteira, se houver apoio ao Hamas, não tem como prever.

    Abs

  10. Professores!
    Muito legal esse site/blog… achei por acaso pelo google quando pesquisava sobre iluminimso.
    Todo esse conteúdo está vinculado a um cursinho? vi comentários de alunos…. não sou aluna de vocês… posso consultar os contéudos para estudar?

    []s
    Ana
    Muito legal o material sobre oriente médio!

  11. Ana,
    O site é aberto a todos os interessados. Para acessar a área de aulas e resumos, envie um email solicitando a senha para o seguinte endereço: historiaonline@live.com. Esse endereço também serve como o MSN do site.
    Abraços,
    Rodolfo.

  12. o senhor acredita que as constantes afirmações do governo americano de que o egito deve respeitar a democracia e as liberdades são porque os americanos acreditam que mubarak vai cair e eles querem ainda manter o apoio da oposição?

  13. Os EUA estão numa situação delicadíssima. Mubarak é um aliado e a Casa Branca sempre apoiou a ditadura. Mas como agora o movimento popular é muito intenso, os EUA não sabem de que lado ficar. Eles querem uma solução negociada, para que Mubarak saia sem que haja uma mudança muito forte.

  14. Daniel,

    A crise econômica do Egito, pode-se concluir que foi conseqüência da crise econômica enfrentada pela Europa, já que esses países do norte da África possuem suas economias fortemente ligadas ao continente europeu, levando a estagnação de sua economia e ao desemprego entre os jovens?

    Quanto a Cuba, você acha que essa conexão de fibra ótica que será implantada com ajuda da Venezuela e a liberação do acesso ao blog da jornalista Yoani Sánchez demonstra renovação do regime cubano? Qual a sua opinião sobre esses acontecimentos.

    Isis

  15. Oi Isis,

    A crise atual está ligada à Europa sim. Mas a estagnação é culpa do governo local, da corrupção e etc. Ou seja…o incentivo foi a crise, mas as pessoas se revoltaram por causa de uma situação bem mais antiga.

    Quanto à Cuba, já faz alguns anos que o governo está ensaiando uma abertura política e econômica para tentar se modernizar e não cair. O problema é que isso pode ter dois resultados:
    – ou o povo se contenta e aceita a abertura lenta
    – ou o povo ganha confiança e passa a exigir mais mudanças e mais rápido

    Ainda é cedo para saber🙂

  16. Daniel, na tua opnião qual a relação da crise do Oriente Médio com a questão da legitimidade política???

  17. Oi George,
    Sob critérios ocidentais, qualquer governo golpista é necessariamente ilegítimo, ainda que possa refletir a vontade de parte do povo. Feito o golpe, alguns governos conseguem reformar suas imagens e garantir mais apoio popular. Ainda assim, a chegada ao poder não foi através do apoio popular, portanto fica a crítica à legitimidade.

    Quando o povo pede mais democracia, esse pedido demonstra uma crítica da população ao processo político como um todo, incluindo a questão da legitimidade.

    Abs e bons estudos

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