Somália

Bom dia pessoal, vai aqui um resumo da questão somali e do surgimento do grupo Al Shabbab, acusado do atentado recente que vitimou mais de 300 pessoas.

A Somália vive uma guerra civil desde os anos 1990, período em que governo e grupos opositores entraram em choque em uma crise que somava os aspectos internos ao quadro geral de pobreza da região e o contexto de fim da Guerra Fria.

O resultado foi a queda do governo sem a chegada ao poder de um outro grupo capaz de manter o poder, colocando o país na categoria de “Estado falido”. A ONU tentou uma intervenção sem sucesso entre os anos de 1992 e 1995. Sem governo central o país passou a apresentar realidades distintas. Em alguns lugares grupos locais conseguiram estabelecer alguma ordem enquanto outras regiões continuavam no caos e em 1998 uma parte do norte do país se declarou autônoma.

Entre 2000 e 2005 o país pareceu tender a uma relativa estabilidade após a formação de um governo provisório e depois de um governo de transição, mas o conflito nem por isso deixou de ser violento já que este governo tinha pouco poder na prática: o país continuava dividido de acordo com diversas linhas (etnia, religião, clãs, grupos políticos e armados). Foi nesse contexto que surgiu a hamada União dos Tribunais Islâmicos (UTI) também conhecida como União das Cortes Islâmicas.

Aqui vale um comentário mais amplo sobre a origem do grupo: na ausência de qualquer segurança jurídica ou instituição governamental a população começou a buscar algum suporte, algum tipo de segurança em meio ao caos desde os anos 90. Neste contexto as lideranças religiosas eram vistas como um porto seguro, pessoas depositárias da confiança da população. Assim foram sendo organizados os chamados “tribunais”, misturando líderes religiosos de várias formações (moderadas e radicais), líderes de famílias e clãs, líderes da sociedade civil e de grupos de negócios e criando milícias para manter a ordem. O retorno de alguma ordem foi bem recebido pela população ainda que as punições dos tribunais contra os criminosos e a ordem imposta por eles fosse bastante severas. A partir de 2004 a capital Mogadíscio assistiu à ascensão de quatro tribunais: Ifka Halane, Circola, Towfiq e Sii Sii., admirados pela população devido ao seu combate aos crimes de diversos tipos que eram cometidos por “senhores da guerra” locais. Estabeleceu-se assim um regime ao mesmo tempo rigoroso religiosamente (com penas igualmente rigorosas) mas capaz de manter a ordem onde se instalava. Em meio a anos de caos parte da popuação pareceu optar por uma sociedade rígida porém com regras claras. Em outras palavras: saber qual é a regra mesmo que rígida era melhor do que viver sob o caos imposto pela guerra , cenário semelhante ao que se viu no Afeganistão nos primeiros anos do Talibã.

Externamente o contexto era o da “guerra contra o terror”, em vigor desde 2001. O crescimento do poder de um grupo religioso foi apontado por líderes estrangeiros como um fator de preocupação. Em 2006-07 a ofensiva do exército etíope (com apoio externo) foi bem sucedida contra a UTI mas novamente nenhum grupo conseguiu assumir o poder e manter um governo estável. dentro dos tribunais: enquanto seus líderes principais pertenciam a vertentes religiosas moderadas, sua ala militar passou a apresentar cada vez mais elementos jovens e extremistas vinculados à vertente salafista (a mesma que se vê na Al Qaeda, Boko Haram e Estado Islâmico). Essa ala jovem contava também com militantes já veteranos de ações externas como, por exemplo, o conflito do Afeganistão. Esta é a origem do grupo Al Shabbab, nome que pode ser traduzido justamente como “a juventude” ou “os jovens” e que por algum tempo dominou a capital e diversos territórios ao redor.

Entre 2011 e 2012 a Somália novamente foi invadida por tropas estrangeiras, desta vez vindas do vizinho Quênia com apoio da União Africana e em apoio do novo governo local.

Além do extremismo o país apresenta também focos de ação de piratas. A pirataria surgiu como força de garantir a sobrevivência para diversos grupos bem como uma forma de financiar a luta dos extremistas e de outras facções. A Somália encontra-se em uma região estratégica já que navios de todo o mundo passam por seu litoral vindo/a caminho do Canal de Suez.

O grupo Al Shabbab é visto por alguns especialistas como parte da rede Al Qaeda. O recente atentado inscreve-se no quadro citado acima.

Vai fazer prova? Olha só: venha conhecer nossos CURSOS ONLINE de REVISÃO de HISTÓRIA e ATUALIDADES. E só clicar 🙂

Já conhece nosso canal do YouTube? Não? Clica aqui!