A crise de refugiados de Myanmar

Oi pessoal, outra crise de refugiados que chamou a atenção esse ano foi a de Myanmar (antigamente chamada Burma ou Birmânia).
 
Myanmar é um país que reconhece 135 diferentes grupos étnicos e que tem religião majoritariamente budista. Os rohyngia não são reconhecidos oficialmente como uma etnia e são muçulmanos.
 
 
Primeiro destaque então: em linhas gerais esta é uma crise em que uma cultura religiosamente budista persegue (isso mesmo) os muçulmanos. Cuidado com as simplificações sobre o poder das religiões e o budismo.
 
Este ano o fluxo de refugiados chegou a 600 mil, o que já faz da crise algo bastante grave ainda que não chegue à casa do milhão como as crises da Somália, Afeganistão e Síria (ainda hoje as maiores crises em número de deslocados).
 
A perseguição aos rihyngia se apoia em diversos fatores.
 
Para muitos habitantes do país os rohyngia são estrangeiros, invasores originalmente de Bangladesh. A diferença cultural e religiosa também é vista pelo governo central como algo que poderia no futuro gerar um movimento separatista.
 
Após os ataques de 2001 (11 de setembro) e o início da “guerra contra o terror” o discurso que generalizou os muçulmanos como terroristas acabou sendo também instrumentalizado para atender os interesses dos grupos contrários aos rohyngia em Myanmar: preconceito facilita exclusão.
 
Em 2012 houve uma primeira erupção de violência na província de Rakhine, apoiada por pregadores e monges budistas entre os quais se destaca Sitagu Sayadaw. Apesar da imagem em geral pacífica que se tem do budismo é importante frisar aqui o poder que a religião tem como unificadora de parcelas da população. Além disso, budismo e islamismo travaram diversas batalhas metafóricas e reais pela influência sobre vastas regiões da Ásia, desde o Afeganistão até a Indonésia, passando pela Índia, Sri Lanka e Myanmar também.
 
Por fim há questões econômicas já que os conflitos ocorrem em terras que interessam tanto a setores empresariais quanto ao próprio governo devido as seus recursos. Há analistas que vêem a questão étnico-religiosa como uma cortina de fumaça que esconde esses outros interesses.
 
O fato é que hoje são pelo menos 600 mil os deslocados internos e externos.

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