Tensões entre Rússia, UE e OTAN

Desde o fim da Guerra Fria a relação entre Rússia, Europa e EUA tem sido bastante complexa e apoia-se em alguns pontos principais, dos quais destaco o período de declínio da Rússia após 1991 e seu “ressurgimento” nos anos 2000 sob Putin enquanto a União Europeia e a OTAN se expandiram sobre o leste europeu, uma região que foi área de influência da URSS na Guerra Fria, que fez parte da própria URSS e que a Rússia entende como sua esfera “natural” de influência a ser recuperada. O ártico também é um ponto de tensão.

O processo é complexo pois envolve esta rivalidade acima exposta mas também uma questão de interdependência: a Rússia fornece entre 30% e 40% do gás consumido na Europa. A Europa precisa desses gás, a Rússia precisa do dinheiro. Foi essa renda que, aliada à alta dos preços do gás e do petróleo nos anos 2000 (até 2014) permitiu a parcial recuperação econômica que garante a Putin sua popularidade e poder. Parece estranho? Geopolítica se faz desse tipo de aparente contradição, rivais são também parceiros (veja a China em relação a outros países).

mapa dos principais gasodutos

Para a Rússia a “perda” do leste europeu foi simbólica e prática: eram seus aliados, mantinham bases militares russas/soviéticas e eram parte de seu sistema econômico tanto como fornecedores quanto como compradores. A expansão da UE e da OTAN portanto reduziu o espaço político, militar e econômico da Rússia e ainda trouxe a OTAN até quase as portas de Moscou.

Mapa da expansão da OTAN/NATO sobre a área de influência soviética/russa (vermelho)

 

 

 

Expansão da UE (azul) sobre a área de influência soviética/russa (amarelo). O mapa vai até 2007, houve ainda a adesão da Croácia à UE.

A reação russa se dá em várias frentes.

EM 2008 a Rússia atacou a Geórgia, uma ex-república soviética do Cáucaso (onde passam gasodutos russos rumo à Europa) justamente porque a Geórgia ensaiou aproximar-se da UE e da OTAN.

Em 2013/14 começou a crise da Ucrânia. Apesar dos muitos detalhes internos que tornam essa crise complexo, o pano de fundo é esta mesma disputa: a Ucrânia é estratégica pois é uma grande produtora de trigo (entre outros produtos agrícolas) e é parte essencial da rede de gasodutos e oleodutos que alimentam a Europa. Em 2013 ocorreu uma crise interna que derrubou um presidente pró-Rússia. O páis é bastante dividido, uma parte significativa de sua população prefere manter a proximidade com os russos e esta parcela não reconheceu a queda do governo como legítima. A crise tornou-se territorial quando a Crimeia separou-se unilateralmente da Ucrânia e depois foi anexada pela Rússia em um também confuso referendo. A região apresenta maioria russa etnicamente e é o local de uma base naval russa – Sebastopol. Após a crise da Crimeia minorias russas pegaram em armas (com apoio não oficial russo) nas regiões de Donetsk e Lugansk. O governo central (agora pró-Europa) reagiu e o que ocorre é uma guerra civil que já matou mais de 10 mil pessoas.

Na Síria também Putin apoia abertamente o governo Assad. Os EUA e a Europa prefeririam ver Assad derrubado caso uma solução democrática ou pelo menos pró-ocidental pudesse ser atingida, o que parece um cenário distante.

Toda essa tensão se manifesta hoje em um desconfianças permanetens e diversas manobras militares tanto da OTAN quanto dos russos nos pontos em que os dois mais se aproximam, com destaque para a região do Báltico.

mapa com alguns dos pontos de tensão mais frequentes.

A Rússia busca recuperar seu espaço perdido tanto na geografia quanto nas alianças políticas e na economia. Os EUA buscam impedir tal recuperação (via OTAN) e a Europa, também temerosa dos russos, se vê mais uma vez como linha de frente dessa briga que envolve seus próprios interesses também, mas que ocorre em um momento em que a própria UE em crise não consegue se articular para dar uma resposta adequada a todo esse quadro.

Venham conhecer nossas revisões online de História e Atualidades, clique aqui.