BREXIT

Pessoal, o tema te sido bastante cobrado em provas e merece um aprofundamento. O BREXIT é a saída do Reino Unido da União Europeia (Britain/British + Exit).

Antes de explicar o processo: o que é o Reino Unido? É o mesmo que a Inglaterra? Não.

O Reino Unido (RU) é o resultado da conquista dos ingleses sobre diversos outros povos e reinos que existiam no que hoje chamamos de Ilhas Britânicas. Originalmente as ilhas eram habitadas por diversos povos, em parte conquistados pelo romanos. Na Idade Média outros grupos invadiram as ilhas, entre os quais os anglos, os saxões e os vikings. Por fim os normandos franceses, em parte também vikings, invadiram a ilha principal em 1066. Desse mistura aos poucos surgiu o reino dos anglos, a Angle Land, que foi se consolidando e se expandindo. Esta expansão ao mesmo tempo impôs-se como domínio mas também como assimilação das características dos povos dominados. Estes povos podem ser divididos em três grandes grupos que hoje, junto com os ingleses, formam o RU: galeses (País de Gales), escoceses e irlandeses (hoje apenas a Irlanda do Norte é parte do RU).

Ao longo dos séculos as regiões conquistadas, antes tratadas quase como colônias, passaram a ser tratadas como entes políticos com os mesmo direitos da Inglaterra. A atual bandeira do RU reflete esse processo, é uma soma das bandeiras.

O Reino Unido, portanto, é formado de quatro unidades: Inglaterra, Gales, Escócia e Irlanda do Norte. Cada uma dessas unidades tem representantes no Parlamento de Londres porém, por uma questão de proporcionalidade de população, os ingleses são o povo com mais representantes. Em outras palavras: a Inglaterra pesa mais nas decisões do RU.

O separatismo entre as quatro unidades existe, em 2014 a Escócia chegou perto de aprovar sua separação do RU. Mesmo com a derrota do movimento os partidos nacionalistas-separatistas escoceses hoje dominam as cadeiras pertencentes à Escócia no Parlamento de Londres.

Historicamente os ingleses nunca desenvolveram uma identidade europeia plena no sentido de se sentir parte da Europa totalmente. Não é raro ingleses comentarem que vão viajar “para a Europa” ao invés de “para o continente”. Margaret Tatcher certa vez afirmou que Deus separou o Reino Unido da Europa continental por uma razão. Já houve no passado uma votação para o RU sair do bloco europeu.

Economicamente o BREXIT se apoia em diversas questões. Todos os membros do bloco contribuem financeiramente com o bloco. Para os separatistas esse dinheiro poderia ficar em casa. Com a crise que se abateu em 2010 sobre Grécia, Portugal, Espanha e Itália esse ressentimento ganhou força. O bloco também estabelece diversas outras obrigações regras sobre os membros, o que os separatistas argumentam que viola a autonomia ou soberania nacional.

Imigração foi o outro ponto-chave. O RU não é parte do Acordo Schengen, que garante livre-circulação para cidadãos dos países do bloco (o acordo não é obrigatório). Mesmo assim, com a atual crise de refugiados o bloco decidiu que todos os membros devem ajudar a receber os refugiados, notícia que foi mal recebida pelos britânicos mais nacionalistas.

Foi a partir desses pontos que foi feita a votação que deu vitória à separação, campanha abraçada em especial pelo UKIP, partido do Reino Unido (UK) independente.

Há, porém, pontos importantes.

Ao analisar a votação nota-se dois pontos importantes: um recorte etário e um regional. Os idosos foram majoritariamente favoráveis à separação, em especial as gerações que viveram um RU 100% separado do continente. Os jovens, mais favoráveis à UE, não compareceram em peso à votação, os idosos sim. O outro recorte é ainda mais decisivo: ingleses foram majoritariamente favoráveis ao passo que na Escócia nenhuma região deu vitória ao separatismo. Considerando que os ingleses são mais numeroso grupo entre as quatro unidades, o fato é que o BREXIT na verdade foi vontade dos ingleses. Por fim as grandes cidades em geral foram contra a separação, mas não conseguiram virar a votação a favor da permanência, venceu a separação.

O resultado favoreceu mais uma vez o aumento do separatismo escocês. O BREXIT foi visto pela Escócia como mais uma decisão inglesa que prejudicou escoceses, arrastados a uma decisão contrária à sua vontade pelo voto inglês.

A charge mostra a Escócia optando por sair do RU e ficar na UE

A data final para o BREXIT tomar forma definitiva é 29 de março de 2019. Até lá muita coisa pode acontecer, até mesmo uma reversão do processo. As negociações são duras. A UE entende o BREXIT como um grande prejuízo tanto financeiro quanto para a credibilidade do bloco. Os pontos centrais são os acordos comerciais e a situação de europeus no RU e de britânicos no continente, já que a saída do bloco anula diversos acordos de moradia e trabalho dos dois lados. O RU busca sair com o menor prejuízo possível ao comércio, a UE sente que ao permitir isso estaria sendo leniente com o RU e estimulando outras saídas. A posição da UE é clara: primeiro a saída, depois as negociações comerciais, que podem portanto ser prejudiciais ao RU.

O resto veremos nos jornais conforme o processo avançar.

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