Castelo de Guimarães e o nascimento de Portugal

Oi pessoal, hoje falaremos do Castelo de Guimarães

Guimarães é uma cidade ao norte de Portugal e tem enorme importância para a história do país. No que ainda resta do velho muro da cidade, lê-se, em letras enormes: “Aqui nasceu Portugal”.


A ocupação de Guimarães insere-se no contexto do que se conhece como “Reconquista”, ou seja, a tomada, por forças cristãs, de territórios até então controlados por forças muçulmanas. Portugal nasceu desse processo, no contexto ainda mais amplo das Cruzadas. Guimarães surgiu em torno de um mosteiro e uma pequena fortificação primitiva.

A respeito de Guimarães e seu castelo, há um documento do ano de 958 que faz menção a ele, localizado no alto de um monte no chamado Monte Largo, que dominava o Campo de São Mamede. Pouco mais de um século depois, Guimarães passou a fazer parte dos domínios que Afonso VI de Leão e Castela doou a Henrique de Borgonha na formação do Condado Portucalense.

D. Henrique e sua esposa, D. Teresa, escolheram o castelo como moradia, a antiga construção que havia no local foi demolida e em seu lugar surgiram a torre e os muros que ainda hoje existem. Segundo relatos, foi este o local do nascimento de D. Afonso Henriques. Neste período, o condado estar subordinado ao Reino de Galiza-Leão.

A regência do condado cabia à D.Teresa, mãe de Afonso Henriques, já que Henrique de Borgonha falecera em 1112. Inicialmente D. Teresa buscou manter a linha autonomista que havia sido seguida pelo marido. Intrigas políticas e pressão do reino de Leão fizeram com que a regente mudasse o rumo de sua política, frustrando alguns nobres locais. Seu filho, Afonso Henriques, estava entre os frustrados.

O desentendimento entre os dois levou ao acirramento das questões.

Em 1127, Afonso VII de Leão e Castela cercou a vila e o castelo de Guimarães na tentativa de abafar a autonomia do condado. Houve então o enfrentamento entre as forças castelhanas (em apoio a D. Teresa) e as forças de Afonso Henriques que, vitorioso na chamada Batalha de São Mamede (travada no dia de São João), iniciou o processo de independência de Portugal, considerada definitiva a partir de 1143.

Afonso Henriques, agora Afonso I, expandiu o reino para o sul, expulsando forças muçulmanas até a linha do Tejo, em Lisboa, com apoio de cruzados de diversas outras regiões da Europa.

O castelo de Guimarães é, pois, o local em que toda essa narrativa se inicia. É também uma obra muito típica do período, estrategicamente situado no alto de um morro para garantir que se veja tudo ao redor.

Note-se a pequena porta de entrada, nada de portões grandiosos. Há outra, semelhante, do lado oposto. O castelo estava de certa forma fundido com a muralha, traço comum das vilas fortificadas da Idade Média. Parte do castelo ficava para fora da vila, parte para dentro e o castelo assim se integrava ao dispositivo defensivo maior. A porta mais larga, que permitia entrada de cavalos e carroças, ficava voltada para dentro da vila.

 



Ao contrário do que muitos imaginam, castelos desse período nada tinham de luxuoso.

O que há é basicamente uma torre central (chamada torre de menagem) quase sem janelas e cujo acesso se dá a partir das muralhas, já no meio da torre (em termos de altura), como se vê nas fotos.

A parte de baixo da torre servia como masmorra e aposento dos criados, havia um salão central e a parte de cima que servia como residência. As muralhas, altas, são também pequenas em perímetro. Além da torre, havia os estábulos, a área de cozinha/refeições e basicamente era isso.

Vista externa, com as janelas da área de refeições. Aqui vê-se também parte da muralha original que cercava o povoado e o arco de um dos portões de acesso à vila.

Portão de entrada de cavalos no castelo, sem degraus, voltado para o lado de dentro da vila.

Vista logo que se entra por um dos portões

 

 

Vistas do alto da torre, para lados opostos.

 

 

Uma curiosidade que vale notar: do lado de fora do castelo há uma pequena capela (foto acima) dedicada a São Miguel. Nesta capela estão sepultados muitos dos nobres que lutaram pelos reis do início de Portugal, em especial os nobres do círculo de Afonso I. As lápides são o próprio chão da capela, os visitantes hoje circulam apenas ao lado. Em frente, uma estátua de Afonso Henriques, em armadura de cota de malha recoberta de escamadas e escudo normando, típico da cavalaria.

 

 

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