Crise da Síria, quadro atual

Pessoal, continuando a série de posts sobre a Síria, fica aqui uma atualização do quadro geral com destaque para questões de domínio territorial.

Como de costume, farei aqui um breve resumo. A crise da Síria iniciou-se no contexto da Primavera Árabe em 2001, momento no qual diversos governos autoritários do norte da África e do Oriente Médio passaram a ser alvo de grandes manifestações populares que pediam mais democracia e reformas econômicas. Em cada país afetado houve diferentes resultados, dependendo de fatores tais como homogeneidade ou diversidade étnica e religiosa e também dependendo da reação do governo (de conciliação a repressão), fato que também definiu a reação de cada população (de aceitar negociar a calar-se ante a repressão ou pegar em armas).

A Síria acabou por se tornar a principal crise pois é um país extremamente diverso em termos étnicos e religioso, o que levou a uma grande fragmentação política conforme os diferentes grupos foram se organizando. Além disso, extremistas vindos de diversas regiões aproveitaram o cenário de caos e vácuo de poder em algumas regiões para buscar se fortalecer, como foi o caso do Estado Islâmico/ISIS.

Para uma visão mais aprofundada recomendamos ver este link sobre a Primavera Árabe. Para  ais detalhes sobre o Estado Islâmico, a Síria, o Iraque e a Síria veja este link aqui. Por fim, este post recente aqui no HO sobre o contexto internacional pode ajudar também.

Voltando ao nosso foco aqui neste post, qual é o cenário hoje? Em termos gerais o governo está claramente vencendo quando comparamos a mapas de alguns anos atrás. Esse primeiro mapa mostra a situação em janeiro de 2016.

Áreas em vermelho: controle do governo.
Áreas amarelas: controle dos crudos, uma etnia que busca independência e luta tanto contra o governo Sírio quanto contra o governo turco além de lutar contra outros grupos rebeldes. Veja mais aqui sobre os curdos.
Áreas verdes: controle de diversos grupos rebeldes.
Áreas cinzas: controle do Estado Islâmico/ISIS.
Nota-se no mapa acima que o governo controlava basicamente a porção oeste do país (onde estão as principais cidades) e mesmo assim enfrentava resistência.

Passados dois anos o quadro é bem distinto e mostra um governo extremamente forte, curdos também em uma posição mais vantajosa e os rebeldes e grupos extremistas bastante enfraquecidos. O mapa abaixo é do jornal New York Times (este artigo aqui).

Áreas em cinza: governo Áreas em verde: curdos. Áreas em amarelo: rebeldes. Áreas em rosa: extremistas.

 

Como se vê, o conflito hoje apresenta um cenário bem mais definido em termos territoriais e dividido em três áreas principais (exceto por algumas regiões isoladas e cercadas. No norte do país (número 1 no mapa) o governo ainda luta contra os rebeldes em um território relativamente amplo. Também no norte (número 3) a Turquia recentemente fez incursões (e apoia grupos na área) contra a expansão do curdos. Por fim, no leste (número 2 no mapa) restam alguns focos de resistência de grupos extremistas, longe de quaisquer cidades grandes ou centros importantes.

Caso se mantenha essa tendência, as apostas são que o governo deve vencer a guerra. Isso pode ocorrer de forma rápida ou mais prolongada, não é possível prever com exatidão.

 

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