Crise na Venezuela

Oi pessoal, mais um post sobre a crise na Venezuela

 

Esta semana alguns eventos trouxeram o tema de volta à mídia.

Para quem está um pouco perdido, temos alguns posts já sobre o assunto. O post de hoje faz um resumo, quem quiser se aprofundar pode consultar os outros.

Este aqui resume a crise atual.

Este aqui mostra o cenário externo, quem apoia qual lado na crise.

E este destaca um pouco mais a figura de Juan Guaidó, o líder da oposição e a confusão jurídica sobre a legalidade do poder.

O que aconteceu?

Em resumo, os dois líderes opositores principais, que são Juan Guaidó e Leopoldo Lopez tentaram, na 3a feira, conclamar o povo e as forças armadas contra o regime de Maduro.

Juan Guaidó argumenta que, desde as eleições de 2018, o governo Maduro seria ilegítimo já que a eleição teria sido fraudada. Assim sendo, o cargo de presidente estaria vago e, pela Constituição, o presidente da Assembléia Legislativa deveria ser empossado como presidente interino do país até que se organizem novas eleições. Este post (já indicado acima) detalha mais essa questão.

Como passou o dia a 3a feira?

Manifestantes de fato foram às ruas contra o governo, mas não na escala que Guaidó parecia imaginar. Os militares também aderiram parcialmente, mas em número pequeno. Sobre os militares há diferentes visões: por um lado o exército não reprimiu os manifestantes, quem reprimiu foi outra força armada, a Guarda Bolivariana, em conjunto com os chamados “coletivos”, organizações paramilitares de civis que apoiam o governo. Por outro lado, o alto comando militar veio a público se manifestar a favor do governo, acusando a movimentação de Guaidó de ser um golpe amparado pelos EUA.

Como o dia terminou?

O governo Maduro foi à TV em tom vitorioso, afirmando que a movimentação opositora fora contida.

Leopoldo Lopez, que também é cidadão espanhol, refugiou-se na embaixada da Espanha, o que parece sinalizar uma derrota. A embaixada é território espanhol, Lopez portanto está “fora” do país, em solo estrangeiro e protegido pela lei internacional e pela soberania espanhola.

O dia primeiro de maio foi novamente de protestos nas ruas, com comícios dos dois lados.

O que vem agora?

O cenário continua em aberto pois muita coisa pode mudar. Se a população for em peso para as ruas contra Maduro, reprimir um movimento deste porte poderia levar as forças do regime a se ausentar ou mudar de lado.

Se não houver mais manifestações, o regime pode então perseguir seus opositores.

Por enquanto a análise é que Guaidó se antecipou e gastou seu capital político de forma atrapalhada, dando uma vitória ao governo e se colocando em uma situação de ou guri, ou ser preso. Ainda assim, tudo depende do comportamento da população e das forças armadas nos próximos dias ou meses.

Como ficam os militares?

Os militares se tornaram uma casta na Venezuela, em especial as altas patentes: promoções ao generalato, participação no petróleo, benefícios e privilégios fazem com que o alto comando seja leal ao governo até como forma de sobrevivência. Os líderes da força armada são cúmplices do governo em diversas atividades, inclusive algumas ilícitas segundo os opositores. Ou seja, a sobrevivências desses generais e outros oficiais superiores está ligada à sobre vivência do regime, o que explica sua lealdade.

Quem apoia a Venezuela?

Rússia e Cuba em especial. Para um quadro mais completo, clique neste post aqui (também já indicado no começo do texto).

Quais os impactos possíveis de uma crise no país e de uma eventual queda do governo?

Impossível prever, mas Cuba certamente seria muito afetada, pois depende da Venezuela de diversas formas, em especial petróleo. Uma crise prolongada que se torne uma guerra civil afetaria Brasil e Colômbia.