Venezuela, um resumo da crise

Venezuela, resumo da crise.

Oi pessoal,

Nos últimos dias a crise da Venezuela se agravou bastante, ganhando destaque o fechamento da fronteira com o Brasil e o rompimento de relações com a Colômbia. Como toda crise em andamento, prever seu desfecho é impossível. Vamos então a um apanhado geral para entender o quadro hoje.

Quem disputa o poder?
De um lado Nicolás Maduro, herdeiro político de Chávez, do outro o deputado Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino (temporário).

Qual é a crise?
A oposição (Guaidó) argumenta que o governo Maduro é ilegítimo pois a última eleição teria sido fraudada. Com base neste argumento, Guaidó deveria ser o presidente interino do país já que ele é o presidente da Assembleia Nacional. Pela lei, caso a presidência esteja vaga, assume o presidente da Assembleia Nacional, que tem então um mês para organizar novas eleições.

Foi assim que Guaidó declarou-se presidente.

Passou-se um mês e Guaidó, que não tem a máquina estatal a seu lado, não conseguiu fazer novas eleições, apesar de conseguir apoio externo.

Nicolás Maduro continua no poder, respaldado (até aqui) pelos militares. Já ocorrem deserções, mas por enquanto apenas pontuais e nas patentes mais baixas.

Como fica o cenário externo?
Externamente o cenário é igualmente complexo.
A ONU (Conselho de Segurança) dificilmente agirá pois Rússia e China tendem a vetar qualquer ação. Rússia tem a Venezuela como aliada.

O chamado “Grupo de Lima” busca fazer pressão e encaminhar uma solução, o grupo é formado por diversos países latino-americanos e acompanhado por outros como Canadá. EUA não fazem parte oficialmente, mas estão próximos do grupo, assim como a UE.

O Brasil se prontificou a mandar ajuda humanitária e cuidar de quem cruza a fronteira, mas declarou abertamente que não fará intervenções.

Guaidó tem apoio declarado de diversos países, Brasil entre eles, mas esse apoio nãos traduziu ainda em nada prático.

Há ainda um contexto maior, de realinhamento político regional, tema para outra discussão.

A crise tem saída?
Essa é a pergunta sem resposta até aqui.
Não há, externamente, vontade para uma intervenção aramada e essa, caso ocorresse, seria extremamente polêmica e perigosa. Guaidó não tem poder sozinho e não parece ter apoio interno suficiente para uma solução de força. Até onde se sabe, maduro ainda tem apoio suficiente das forças armadas para se manter no poder.

Para que as forças armadas deixem de apoiar Maduro, seria necessário acenar com algum tipo de garantia de não-perseguição posterior.

A questão da legitimidade é complexa também: se Maduro por um lado é acusado de fraude, Guaidó por outro não foi eleito presidente nacional e seu prazo de um mês para organizar novas eleições já caducou (pela mesma lei na qual ele se baseou para se proclamar presidente interino).

A crise pode se prolongar?
Sim. Com o devido cuidado nas comparações, a crise da Síria avança para o seu oitava ano e o governo continua de pé. Sem pressão externa decisiva nem erosão do apoio dos militares a Maduro, a crise pode sim continuar por muito tempo.

Qual o impacto direto no Brasil?
Em termos imediatos, Roraima depende da Venezuela em 50% em termos energéticos. Pacaraima, cidade brasileira na fronteira, não tem postos de combustível já que a gasolina na Venezuela é muito mais barata.

A médio e longo prazo, o Brasil pode receber mais imigrantes conforme a crise se agravar, ainda que em geral os venezuelanos prefiram  Colômbia como destino.

Hoje, 2a feira, 25 de fevereiro, é esse o quadro. Amanhã pode ser outro.