Pessoal, hoje o tema é Hong Kong

E por que tratar Hong Kong? Por conta dos recentes protestos e das possíveis relações com outros temas desse ano ou do passado.

Bora?

O que é Hong Kong?

Hong Kong é uma região administrativa especial da China (a outra é Macau), uma região que, como diz o nome, segue outras regras quando comparada à China continental.

Isso é uma herança do passado como colônia britânica: o Reino Unido anexou a região no século XIX (Guerra do Ópio, 1839-42) e a devolução foi feita apenas no fim do século XX (1997). Inicialmente a colônia era uma ilha, depois foi ampliada para o território da península de Kowloon. Desde a devolução, a região vive sob esse tal regime diferenciado, que inclui bandeira, passaporte, câmbio e moeda diferentes da China, por exemplo. Há também um judiciário local e um poder executivo com grande grau de autonomia também, para questões internas. Na prática, Hong Kong está sob o domínio da China continental em termos de política externa e defesa.

Hong Kong é também um grande centro financeiro capitalista. Sua economia, isoladamente, seria a 30a do mundo, fortemente liberal. Sua moeda é a oitava mais negociada do mundo.

Sua população é de 7 milhões de pessoas.

Qual é a crise atual?

O estopim da crise foi a proposta de uma nova lei que permitiria extraditar criminosos para a China continental.

A lei é vista como uma tentativa de reduzir a autonomia de Hong Kong, algo que de fato o governo chinês vem tentando fazer nos últimos anos. Carrie Lam, a governante local, garante que não houve pressão de Pequim, mas o temor permanece.

Grandes manifestações ocorreram recentemente, levando até um milhão de pessoas para as ruas (de uma população de sete milhões).

Houve outras crises recentes?

Sim, em especial a chamada “Revolução dos Guarda-Chuvas”. O nome deriva do uso de guarda-chuvas por parte dos manifestantes para se proteger das bombas de gás lacrimogênio e dos sprays de pimenta que a polícia usou durante os protestos.

A crise teve início quando o governo da China continental buscou interferir nas eleições de Hong Kong. Como dito, Hong Kong tem um sistema bastante autônomo, o que inclui eleições locais para o governo regional. A proposta chinesa incluía criar uma lista de candidatos pré-aprovados por Pequim, o que na prática faria com que as eleições fossem indiretamente direcionadas.

O movimento foi reprimido.

 

Algum outro tema relacionado?

Sim: vale a pena lembrar nosso post recente sobre o Massacre na Praça da Paz Celestial, que esse ano comemora 30 anos. Há uma relação direta no que tange à busca por democracia que enfrenta repressão do governo central. Um tema pode, assim, puxar o outro. E, claro, o governo de Pequim está ciente do simbolismo das datas.

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