Rota da Seda, parte 1

Oi pessoal, aqui é o professor Daniel.

Ano passado realizei um antigo projeto: conhecer o Usbequistão, país que é o coração da Rota da Seda.
Ao longo de alguns posts vou relatar aqui a viagem, mas antes faremos essa introdução.

 
Este foi um dos temas que primeiro capturou a minha imaginação quando era criança e li o relato de Marco Polo, “O livro das maravilhas”. Nele, Polo narra sua viagem desde a Itália até a China de Kublai Khan, descendente de Gengis Khan e que teria inclusive transformado Polo em uma espécie de ajudante.
 
O termo “Rota da Seda” é uma criação do século XIX que traz alguns enganos. Na verdade eram várias estradas e vários produtos comercializados, não havia sequer uma rota oficial, nada assim tão organizado.
 
De um lado, os vários impérios chineses que se sucederam século após século; do outro o Império Persa, também sob muitas dinastias e dominando vastas áreas do Oriente Médio e da Ásia Central. Persas aos poucos foram em parte substituídos por romanos, bizantinos, árabes e turcos. No meio do caminho, diversos reinos, cidades-Estado e povos independentes qua serviam para fazer a ponte entre os dois extremos da rota.
 
Seda de fato era um dos produtos mais comercializados e era também unidade de troca. O chineses, por muito tempo donos da tecnologia, padronizavam os rolos do tecido em medidas de aproximadamente 50cm por 12 metros. Com 25 desses rolos comprava-se um cavalo; com 35 um camelo, principal forma de transportar as cargas. Papel, pólvora e macarrão viajaram por estes caminhos, assim como a peste negra.
 
Os trajetos eram cheios de riscos e sujeitos a todo tipo de intempérie, há relatos de caravanas que precisaram esperar meses pelo degelo de uma determinada região, mas por milênios as rotas conectaram culturas s mais diversas, levando e trazendo mercadorias, avanços científicos, cultura e religião. Nas cidades da Ásia Central era possível encontrar zoroastristas, budistas, cristãos, judeus, hindus e muçulmanos, todos ali para fazer comércio, o que deu à região um ar de tolerância que ainda hoje se vê. raramente alguém vazia a rota toda, mas achados arqueológicos na Inglaterra nos mostram que pelo menos dois comerciantes chineses conseguiram sair de ponta a ponta.
 
Entre as idas e vindas da história, a rota teve períodos de altos e baixos, abalada por guerras, declínio das potências em seus extremos, doenças e a crescente concorrência do comércio naval a partir do ciclo que se inicia no século XV.
 
Esquecida por alguns séculos a partir do XVII, hoje volta a ser alvo das ambições chinesas através de um megaprojeto de integração comercial que visa retomar essa longa tradição (e se aproveitar dessa memória) unindo China, Ásia Central, Rússia, Oriente Médio e Europa em um grande cinturão comercial. Tem um vídeo meu sobre isso aqui:
Os desafios são muitos, mas o projeto já está em andamento. Clique aqui para ver um vídeo meu sobre o tema.
 
Juntando este meu encanto de criança com meu gosto por viagens e fotografia e minha profissão, fui ano passado ao Usbequistão, país que hoje ocupa o coração da rota, o meio do caminho, o ponto de mais variedade cultural.
 
Começo aqui a postar um pouco dessa viagem, comentando o que vi lá em primeira mão e fazendo as pontes com a história e a atualidade desse país que já foi sede de impérios e até parte da URSS.
 
Fica aqui um primeiro mapa que mostra bem a antiga rota.
Nos vemos em breve 🙂