População judaica mundial: anos 1930 – anos 2000

O post de hoje trata da população judaica mundial

 

O mapa abismo é extremamente interessante pois trata de um período do tempo que abrange dois eventos fundamentais: o nazismo e a criação de Israel (1948).
Vejamos o mapa.

Ao analisarmos o mapa notamos duas tendências claras.

A primeira, e muito triste, é que ainda hoje a população judaica não se recuperou do holocausto nazista. Se nos anos 1930 a população era da ordem de 16 milhões, hoje ela ela está em 14 milhões. O nazismo ceifou a vida de 6 milhões de judeus (além de outros grupos como ciganos, homossexuais, Testemunhas de Jeová e opositores políticos das mais diversas origens). No caso dos judeus o impacto foi brutal: quase um terço dos judeus foi assassinado em poucos anos.

No mapa vemos claramente a diminuição da população judaica na Europa.

O outro fator é a criação do Estado de Israel, em 1948.

Notamos que mesmo nos países fora da Europa, onde não houve nazismo, a população judaica diminuiu bastante, com destaque para a porção norte da África e para o Oriente Médio. Nesse caso, a criação de Israel explica a variação demográfica: sendo agora um povo com um Estado próprio, muitos judeus optaram por viver em Israel e aos poucos abandonaram os países onde estavam. Hoje a população de Israel é da ordem de 8 milhões.

Para se aprofundar um pouco em nazismo, em especial a polêmica sobre a qual espectro político o nazismo pertence, clique aqui.

Essa vídeo-aula ajuda a entender também a criação de Israel e o conflito com os palestinos.

Aqui um comentário sobre a polêmica da embaixada brasileira em Israel.

Por fim, aqui nesse vídeo o professor Rodolfo faz um apanhado rápido das antigas civilizações do Oriente Médio, incluindo os hebreus (judeus).

Embaixada brasileira em Israel, perguntas e respostas

Oi pessoal, afinal: qual é a polêmica sobre a embaixada brasileira em Israel?

Este tema ocupou recentemente as manchetes dos jornais. O centro da questão: a embaixada brasileira deve ou não ser em Jerusalém?

Para entender essa questão é necessário mergulhar na questão do conflito entre Israel e Palestina, aqui tem um vídeo sobre isso que explica em profundidade essa questão e é necessário para entender o contexto que será explicado abaixo..

Preparamos um post com perguntas e respostas.

Onde fica atualmente a embaixada brasileira?

Em Tel Aviv, considerada a capital econômica do país.

Por que Tel Aviv tem esse status? Qual a diferença com Jerusalém?

Tel Aviv é uma cidade no litoral israelense. É considerada por muitos países a capital de Israel e é também seu coração econômico. Lá ficam a maioria das embaixadas e também das sedes das grandes empresas.

Jerusalém é uma cidade disputada. Israel argumenta que Jerusalém é sua capital histórica, mas a cidade é sagrada também para os palestinos muçulmanos e também é reivindicada por Israel. Originalmente, pelo partilha da ONU mostrada na vídeo aula indicada acima – ou aqui – a cidade deveria ser internacional.

Nas guerras que vieram, Israel conquistou o território palestino, mas a ONU não reconhece essa conquista até hoje, por isso o uso do termo “territórios ocupados”. Desde então permanece a polêmica. O governo de Israel tem em Jerusalém seu parlamento e argumenta que a cidade é sua capital e que isso será assim mantido.

Por que as embaixadas e sedes das empresas continuam em Tel Aviv?

A questão Israel-Palestina é um tema sensível e que mobiliza os países árabes de maioria muçulmana, unidos em organizações como a Liga Árabe. A maioria dos países do mundo prefere, nesse sentido, não tomar partido na briga. Como Tel Aviv é o local originalmente previsto como capital de Israel, a maioria da comunidade internacional manteve essa posição.

Que países tem sua embaixada em Jerusalém?

Atualmente, só os EUA. A mudança da embaixada foi decretada por Donald Trump a partir de uma autorização que já existia antes, mas que também deixava a cargo do presidente escolher o melhor momento. Vários presidentes julgaram melhor não mudar a embaixada.

O que significa mudar a embaixada para Jerusalém?

Na leitura do mundo árabe e muçulmano, e também de Israel (de maioria judaica), essa mudança significa abandonar a postura de neutralidade e declarar-se partidário de Israel na questão territorial.

 

Por que o Brasil decidiu mudar sua embaixada?

A promessa de mudança de embaixada foi feita durante a campanha presidencial. O então candidato Bolsonaro avaliou que esta manobra traria apoio do eleitorado cristão, em especial evangélico, e também da comunidade judaica. Sendo Jerusalém sagrada para cristãos e judeus, a embaixada brasileira estaria, assim, na Cidade Santa.

Essa mudança fez parte também do novo alinhamento político do Brasil, partidário declarado do governo Trump e de Israel.

Por que a medida se mostrou polêmica? Há impactos para o Brasil?

A medida é bastante polêmica pois, na prática, adota um posicionamento que o Brasil não estava sendo cobrado para adotar e pode trazer impactos negativos.

Em primeiro lugar vem o impacto comercial: o Brasil depende muito mais do comércio com os países árabes (de maioria muçulmana e apoiadores dos palestinos) do que com Israel.

Em números do ano passado, o comércio (exportações) foi da ordem de:

  • 320 milhões para Israel.
  • 11 bilhões para o mundo árabe, em especial carnes.

A Liga Árabe, que reúne diversos países, prometeu reavaliar o comércio com o Brasil caso a embaixada seja mudada.

Em segundo lugar, ao prometer a mudança, o presidente Bolsonaro de fato conseguiu apoio de setores da sociedade brasileira que agora esperam que se cumpra a medida, mas é uma medida que, na prática, não precisava ter sido prometida. Ou seja, uma promessa que nunca foi fundamental na política brasileira agora se torna uma questão que pode abalar  relação entre o governo e seus eleitores se não for cumprida, mas pode também abalar a economia se for cumprida.

Em terceiro lugar, o Brasil tomou um posicionamento que escolhe um dos lados ao invés de lucrar com os dois. Não havia, nem de Israel, nem do mundo árabe, uma cobrança para que o Brasil se posicionasse. Nesse sentido, o Brasil ganhava dos dois lados. Com o novo posicionamento, o Brasil toma um partido e pode, nesse sentido, perder numa relação em que antes ganhava dos dois lados.

O governo israelense agora espera que o Brasil cumpra o prometido. Os países árabes podem retaliar caso a promessa se cumpra.

A medida divide o próprio governo, já que o vice-presidente Hamilton Mourão já declarou que é um movimento desnecessário, a ser estudado com cautela devido aos possíveis impactos. A ala do governo mais vinculada ao setor religioso discorda e quer ver a medida aprovada.

Qual foi a solução até aqui?

O governo brasileiro, pressionado pelo setor exportador que foi fundamental na sua vitória, voltou atrás. Mas, para não deixar de sinalizar algo no sentido do prometido, abriu um escritório comercial em Jerusalém. A medida no entanto, foi avaliada também como negativa.

Para Israel, só o escritório não é o suficiente, espera-se que o Brasil vá além.

Para o mundo árabe, o escritório já é um sinal negativo, o que cria mal estar.

Para o comércio, é pouco. Se é em Tel Aviv que está o coração econômico de Israel, um escritório em Jerusalém acaba sendo apenas simbólico, sem efeito prático. Não é em Jerusalém que os negócios são fechados.