Venezuela: refugiados e imigrantes

Oi pessoal, hoje falaremos do fluxo de deslocados da crise da Venezuela

Como dissemos nos posts anteriores (aqui, aqui e aqui), recentemente a ONU divulgou seu relatório chamado Global Trends, que serve de base e referência para os estudo sobre o tema e, também, para as questões de provas. Se você quiser ver o documento original, clique aqui.

Não lembra a diferença entre refugiados e imigrantes? Dá uma olhada nesse vídeo aqui.

Hoje vamos focar na crise da Venezuela

Primeiramente, é bom lembrar: quem define se aceita alguém apenas como imigrante ou também como refugiado é o país de destino. Isso porque refugiados tem direitos que os imigrantes não tem, e que muitas vezes incluem ajuda financeira.

No relatório da ONU já se fala em mais de 3 milhões de deslocados (mapa abaixo).

 

Posteriormente, a ONU divulgou um número total próximo de 4 milhões, somando já o primeiro semestre de 2019.

Neste novo número, o Brasil aparece como tendo 168 mil venezuelanos em seu território, diferente do mapa acima.

Como tudo em Atualidades, os números são apenas aproximações.

Quer saber mais da crise venezuelana?

Fizemos uma série de posts no começo do ano que podem ajudar.

Esse aqui faz um resumo da crise.

Esse outro mostra os apoio internacionais.

Este e este destacam a figura de Juan Guaidó, o principal líder opositor.

Tem também essa vídeo aula sobre América Latina com trechos interessantes para esse tema.

Já conhece nossos curso online?

Se não conhece ainda, vem dar uma olhada, tem muita coisa boa. É só clicar aqui.

Crise na Venezuela

Oi pessoal, mais um post sobre a crise na Venezuela

 

Esta semana alguns eventos trouxeram o tema de volta à mídia.

Para quem está um pouco perdido, temos alguns posts já sobre o assunto. O post de hoje faz um resumo, quem quiser se aprofundar pode consultar os outros.

Este aqui resume a crise atual.

Este aqui mostra o cenário externo, quem apoia qual lado na crise.

E este destaca um pouco mais a figura de Juan Guaidó, o líder da oposição e a confusão jurídica sobre a legalidade do poder.

O que aconteceu?

Em resumo, os dois líderes opositores principais, que são Juan Guaidó e Leopoldo Lopez tentaram, na 3a feira, conclamar o povo e as forças armadas contra o regime de Maduro.

Juan Guaidó argumenta que, desde as eleições de 2018, o governo Maduro seria ilegítimo já que a eleição teria sido fraudada. Assim sendo, o cargo de presidente estaria vago e, pela Constituição, o presidente da Assembléia Legislativa deveria ser empossado como presidente interino do país até que se organizem novas eleições. Este post (já indicado acima) detalha mais essa questão.

Como passou o dia a 3a feira?

Manifestantes de fato foram às ruas contra o governo, mas não na escala que Guaidó parecia imaginar. Os militares também aderiram parcialmente, mas em número pequeno. Sobre os militares há diferentes visões: por um lado o exército não reprimiu os manifestantes, quem reprimiu foi outra força armada, a Guarda Bolivariana, em conjunto com os chamados “coletivos”, organizações paramilitares de civis que apoiam o governo. Por outro lado, o alto comando militar veio a público se manifestar a favor do governo, acusando a movimentação de Guaidó de ser um golpe amparado pelos EUA.

Como o dia terminou?

O governo Maduro foi à TV em tom vitorioso, afirmando que a movimentação opositora fora contida.

Leopoldo Lopez, que também é cidadão espanhol, refugiou-se na embaixada da Espanha, o que parece sinalizar uma derrota. A embaixada é território espanhol, Lopez portanto está “fora” do país, em solo estrangeiro e protegido pela lei internacional e pela soberania espanhola.

O dia primeiro de maio foi novamente de protestos nas ruas, com comícios dos dois lados.

O que vem agora?

O cenário continua em aberto pois muita coisa pode mudar. Se a população for em peso para as ruas contra Maduro, reprimir um movimento deste porte poderia levar as forças do regime a se ausentar ou mudar de lado.

Se não houver mais manifestações, o regime pode então perseguir seus opositores.

Por enquanto a análise é que Guaidó se antecipou e gastou seu capital político de forma atrapalhada, dando uma vitória ao governo e se colocando em uma situação de ou guri, ou ser preso. Ainda assim, tudo depende do comportamento da população e das forças armadas nos próximos dias ou meses.

Como ficam os militares?

Os militares se tornaram uma casta na Venezuela, em especial as altas patentes: promoções ao generalato, participação no petróleo, benefícios e privilégios fazem com que o alto comando seja leal ao governo até como forma de sobrevivência. Os líderes da força armada são cúmplices do governo em diversas atividades, inclusive algumas ilícitas segundo os opositores. Ou seja, a sobrevivências desses generais e outros oficiais superiores está ligada à sobre vivência do regime, o que explica sua lealdade.

Quem apoia a Venezuela?

Rússia e Cuba em especial. Para um quadro mais completo, clique neste post aqui (também já indicado no começo do texto).

Quais os impactos possíveis de uma crise no país e de uma eventual queda do governo?

Impossível prever, mas Cuba certamente seria muito afetada, pois depende da Venezuela de diversas formas, em especial petróleo. Uma crise prolongada que se torne uma guerra civil afetaria Brasil e Colômbia.

Quem apoia quem na crise da Venezuela?

Mais crise da Venezuela, agora em mapa.

Ontem publicamos aqui um post com um apanhado geral da atual crise venezuelana.

Agora temos aqui um mapa com a situação internacional em termos de divisão de apoios ao governo Maduro ou ao oponente Guaidó.

Azul escuro: apoio declarado a Guaidó

Azul claro: apoio tácito a Guaidó

Vermelho: apoio a declarado a Maduro

Rosa: apoio tácito a Maduro (países que apoiam uma negociação que não necessariamente tire Maduro do poder)

 

Venezuela, um resumo da crise

Venezuela, resumo da crise.

Oi pessoal,

Nos últimos dias a crise da Venezuela se agravou bastante, ganhando destaque o fechamento da fronteira com o Brasil e o rompimento de relações com a Colômbia. Como toda crise em andamento, prever seu desfecho é impossível. Vamos então a um apanhado geral para entender o quadro hoje.

Quem disputa o poder?
De um lado Nicolás Maduro, herdeiro político de Chávez, do outro o deputado Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino (temporário).

Qual é a crise?
A oposição (Guaidó) argumenta que o governo Maduro é ilegítimo pois a última eleição teria sido fraudada. Com base neste argumento, Guaidó deveria ser o presidente interino do país já que ele é o presidente da Assembleia Nacional. Pela lei, caso a presidência esteja vaga, assume o presidente da Assembleia Nacional, que tem então um mês para organizar novas eleições.

Foi assim que Guaidó declarou-se presidente.

Passou-se um mês e Guaidó, que não tem a máquina estatal a seu lado, não conseguiu fazer novas eleições, apesar de conseguir apoio externo.

Nicolás Maduro continua no poder, respaldado (até aqui) pelos militares. Já ocorrem deserções, mas por enquanto apenas pontuais e nas patentes mais baixas.

Como fica o cenário externo?
Externamente o cenário é igualmente complexo.
A ONU (Conselho de Segurança) dificilmente agirá pois Rússia e China tendem a vetar qualquer ação. Rússia tem a Venezuela como aliada.

O chamado “Grupo de Lima” busca fazer pressão e encaminhar uma solução, o grupo é formado por diversos países latino-americanos e acompanhado por outros como Canadá. EUA não fazem parte oficialmente, mas estão próximos do grupo, assim como a UE.

O Brasil se prontificou a mandar ajuda humanitária e cuidar de quem cruza a fronteira, mas declarou abertamente que não fará intervenções.

Guaidó tem apoio declarado de diversos países, Brasil entre eles, mas esse apoio nãos traduziu ainda em nada prático.

Há ainda um contexto maior, de realinhamento político regional, tema para outra discussão.

A crise tem saída?
Essa é a pergunta sem resposta até aqui.
Não há, externamente, vontade para uma intervenção aramada e essa, caso ocorresse, seria extremamente polêmica e perigosa. Guaidó não tem poder sozinho e não parece ter apoio interno suficiente para uma solução de força. Até onde se sabe, maduro ainda tem apoio suficiente das forças armadas para se manter no poder.

Para que as forças armadas deixem de apoiar Maduro, seria necessário acenar com algum tipo de garantia de não-perseguição posterior.

A questão da legitimidade é complexa também: se Maduro por um lado é acusado de fraude, Guaidó por outro não foi eleito presidente nacional e seu prazo de um mês para organizar novas eleições já caducou (pela mesma lei na qual ele se baseou para se proclamar presidente interino).

A crise pode se prolongar?
Sim. Com o devido cuidado nas comparações, a crise da Síria avança para o seu oitava ano e o governo continua de pé. Sem pressão externa decisiva nem erosão do apoio dos militares a Maduro, a crise pode sim continuar por muito tempo.

Qual o impacto direto no Brasil?
Em termos imediatos, Roraima depende da Venezuela em 50% em termos energéticos. Pacaraima, cidade brasileira na fronteira, não tem postos de combustível já que a gasolina na Venezuela é muito mais barata.

A médio e longo prazo, o Brasil pode receber mais imigrantes conforme a crise se agravar, ainda que em geral os venezuelanos prefiram  Colômbia como destino.

Hoje, 2a feira, 25 de fevereiro, é esse o quadro. Amanhã pode ser outro.