Um pouco da história do Carnaval

Carnaval também é tema de post no HO!!!

A história do carnaval é antiga e múltipla, vamos fazer aqui um passeio?

Em uma primeira análise, o carnaval é uma festa que precede o jejum que os católicos medievais faziam até a Páscoa (quaresma). O carnaval seria, assim, uma grande celebração antes de um período mais austero, de reflexão e sacrifício. O próprio termo é interessante: na raiz está a ideia de carne, que pode ser traduzida tanto como a carne no sentido da comida, como a carne no sentido do ser humano, da natureza humana e dos desejos. Carnen Levare ou carne vale seriam, assim, o “adeus à carne”, tanto pelo jejum que se segue em termos alimentares, quanto no sentido da restrição sexual no período da quaresma que também faz parte da cultura católica e cristã em geral.

A celebração do carnaval de fato se consolidou na Europa medieval, ao passar a fazer parte do calendário religioso. Conforme a cultura europeia se expandiu, o carnaval foi também se mundializando.

Antropologicamente, a festa é um ritual de inversão: regras sociais são suspensas, os foliões se fantasiam daquilo que, na vida real, não são ou não podem ser, o exagero toma conta.

Em termos históricos, muitas são as origens e explicações.

No hemisfério norte a chegada do equinócio era comemorada em diversas culturas.

O que é o equinócio? O momento em que o dia e a noite tem a mesma duração e que marca a mudança de estações, neste caso (no hemisfério norte) o fim do inverno e começo da primavera (com todo o simbolismo que a data traz). Em geral isso se dá em torno do dia 20 de março.

Muitos povos  pré-cristãos realizavam festas nesse momento, uma celebração da vida que retorna junto com a primavera. Era também o momento de comer, e muito! Toda a comida que havia sido estocada para o inverno e, ironicamente, preservada pelo frio do inverno, começaria agora a apodrecer junto com o aumento das temperaturas. Em paralelo, todo o que era plantado no início da primavera (quando a neve deixava de cair) só seria colhido muito depois, havia então um período de pouca colheita disponível, a festa era ao mesmo tempo o momento de consumir o que iria estragar e também um último momento de bonança antes do período de espera pela primeira safra: era a hora de exagerar, comer muito bem e zerar os estoques que estragariam de qualquer forma.

No plano simbólico, a primavera é também a volta da vida na terra, da fertilidade, vida esta que podia ser celebrada igualmente no sentido sexual, mais um traço do carnaval que é bastante forte em diversas culturas.

Romanos, gregos, nórdicos, germânicos e diversos outros povos europeus (e em outras partes do mundo) celebravam essa mudança no ciclo natural do planeta.

Na Europa, as celebrações eram basicamente populares, inicialmente sem o aval religioso, refletindo este caráter antigo e pré-cristão. Ao longo da Idade Média a Igreja aos poucos foi deixando sua marca, trazendo para dentro de sua órbita uma festa de origens mais profundas e dando a ela (ou tentando dar) um verniz religioso maior, de forma a acomodar um costume que seria difícil (e talvez inútil) tentar eliminar. Se não pode vence-los…

E foi então que veio a Páscoa cristã.

A data da Páscoa foi definida pela Igreja no ano de 325, no Primeiro Concílio de Niceia. A referência veio dos relatos e tradições da época, que localizavam a crucificação e ressureição de Cristo na primeira lua cheia após o equinócio. Aqui temos então mais uma soma de culturas, já que a Páscoa, em que se comemora a ressureição, a vida, teve sua data definida para coincidir mais ou menos com a data que outras culturas celebravam por outras razões. Inicialmente coincidia também com a chamada “Páscoa Judaica”, que celebrava a fuga dos hebreus do Egito.

E como se chega de volta ao carnaval e sua data?

Para fechar a data do carnaval, deve-se então voltar 47 dias no calendário (40 de jejum a partir da terça-feria de carnaval, terminando no domingo de Ramos, uma semana antes do domingo de Páscoa). O número e 40 dias é carregado de simbolismo: 40 são os dias de dilúvio, 40 foram os dias de provação de Cristo no deserto, 40 os dias de Moisés no Monte Sinai.

O que se fez então foi uma grande acomodação de tradições das mais diversas origens, conforme o cristianismo incorporou costumes mais antigos em um processo que fazia parte de sua aceitação como religião ao se sobrepor sobre outras. A partir de uma data festiva baseada no calendário solar somada ao relato religioso cristão criou-se uma relação com a Páscoa, “cristianizando” o carnaval e modificando sua data em relação ao equinócio, mas mantendo seu caráter festivo pagão sob um verniz cristão.

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